O poder das Empoderadas

Conheça a hq de Germana Viana. 

 

 

 

 

Por Nathalie Lourenço*

Ser uma mulher consumidora de cultura pop pode ser frustrante. Tantas das narrativas que amamos falham em nos representar como gostaríamos. Estou falando da super-heroína poderosa mas ao mesmo tempo sexualizada, vestida calculadamente para os garotos babarem. Das únicas mulheres em uma turma de rapazes de uma série que se veem como rivais em vez de amigas. De tantos filmes de ação em que as mulheres são importantes, mas dificilmente as protagonistas.

Esse cenário demorou a mudar. Apenas esse ano, após 20 filmes da Marvel, tivemos o primeiro longa solo de uma personagem feminina, a Capitã Marvel. Empoderamento é um termo que estava tão em voga nos últimos tempos que a gente nem para mais pra pensar no que significa. Empoderar é, literalmente, dar poder. Não é de se espantar que nesse momento exista demanda para narrativas onde mulheres sejam as poderosas e a mulher comum possa se reconhecer numa forma elevada e fortalecida de si própria, tal qual um adolescente tímido poderia se reconhecer em Peter Parker.

A HQ As Empoderadas, roteirizada e desenhada por Germana Viana, lançada pela Jambô em 2018 faz exatamente isso. Lançado primeiro na Social Comix e vencedor do prêmio HQ Mix na categoria webcomic, o quadrinho apresenta a origem e uma aventura completa de uma equipe de heróis 100% formada por mulheres de diferentes personalidades, idades e origens. A história se passa em São Paulo e é possível reconhecer diversos pontos da cidade e nos identificar, assim como nos identificamos com as personagens principais.

Germana mostra que é possível criar uma narrativa predominantemente feminina, cheia de ação, divertida e aborda assuntos que são relevantes para as mulheres sem resvalar no panfletário. O enredo é simples e funciona, mas sua maior qualidade está nos assuntos que aparecem e completam a narrativa de forma natural, na caracterização e vivência das  personagens.

Temos por exemplo, Daniela, uma mãe de família com sua auto-estima abalada por não conseguir emprego após o nascimento das suas filhas, e que terá o poder da superforça. Fabi, uma mulher de quarenta anos segura da sua beleza e sem vergonha da sua sexualidade, que consegue flutuar e ficar intangível. Li, uma jovem tímida descobrindo sua sexualidade e sem coragem de sair do armário para os pais, que se transforma em um dragão chinês de água.

As garotas funcionam como equipe e se complementam não apenas em combate, mas no dia a dia, incentivando uma às outras. Por exemplo, é graças ao apoio de Fabi e Daniela que Li consegue chamar pra sair a garota em quem está interessada. É a interação entre elas e outros personagens que mais chama a atenção, fazendo com que a gente torça por elas.

No mais, é praticamente um check-list de coisas que gostaríamos de ver:

Uniformes pensados para a batalha, não para atrair olhares.
Um marido que não se sente ameaçado pela força da mulher.
Maternidade e sexualidade como partes normais da vida.
Representatividade de cores e de corpos.

Vale a pena conferir.

 

*Gosta de letrinhas em livros, quadrinhos e na sopa. De vez em quando, escreve umas groselhas aqui.

 

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