Quatro momentos definidores de quatro personagens

O que define um personagem?

E o que é definir um personagem? Alguns sinônimos de definir são:

  1. Indicar o verdadeiro sentido de.
  2. A significação precisa de.
  3. Revelar.

Partindo dessas três definições, sugerimos que o que define um personagem são alguns (raros) momentos que indicam seu sentido verdadeiro, mostram sua significação precisa.

Em outras palavras, momentos que revelam sua essência, mostrando aquilo que faz desses personagens aquilo que são.

Inesquecíveis.

 

Nerdbully

Sherlock Holmes por Steven Moffat em Um Escândalo em Belgravia em Sherlock (S02E01)

Talvez possa causar estranheza escolher um momento que define um personagem que não foi concebido pelo seu criador, no caso, Sir Arthur Conan Doyle. Talvez para aqueles que acompanhem a indústria dos quadrinhos de super-heróis isso seja absolutamente irrelevante.

Em todo caso, Steven Moffat (showrunner da série Sherlock e também o roteirista do episódio em questão) apenas segue as diretrizes básicas definidas por Doyle para o personagem.

 “Eu sou um cérebro, Watson. O resto de mim é um mero apêndice”, decreta o primeiro e único detetive consultor em The Adventure of Mazarin Stone, publicada pela primeira vez em 1921 na revista Strand.

O que vemos na cena do primeiro episódio da segunda temporada de Sherlock é um momento definidor do personagem. Sherlock Holmes chega à conclusão de que Irene Adler o ama. Mas como? Ele é incapaz de perceber as sutilizas do afeto, o sentimento do amor.

Resta sabê-lo de forma objetiva. Ele aferiu a pulsação de Adler. Constatou que suas pupilas estavam dilatadas. De fato, o amor é um mistério para Holmes, como afirma Watson, mas não a sua química.

Há uma velha lição de roteiro que diz que é melhor mostrar do que contar. Conan Doyle nos disse que Holmes é um cérebro, mas coube a Moffat mostrar-nos.

John Holland

John Constantine em Hellblazer Anual 2011 – Peter Milligan e Simon Bisley

Na edição em questão conhecemos Tim, um amigo próximo do Constantine que desapareceu aos 16 anos de idade. Nunca houve a confirmação da morte, apenas a suspeita de muitos anos.

A mãe de Tim está à beira da morte e possui um último pedido para John Constantine, encontrar o filho desaparecido. O personagem investiga o desaparecimento do amigo enquanto lida com diversos outros casos de tentativas de suicídio de jovens por motivos diversos. Constantine encontra Tim em um limbo e tem uma última conversa com o amigo, constata o suicídio e sente um tremendo pesar, pela família e pela vida perdida de forma trágica e injusta.

Ao fim da história, John Constantine demonstra onde está sua malandragem e para que ela serve. Ao encontrar a mãe de Tim delirando a beira da morte, ela o confunde com seu filho morto, Constantine então pode escolher entre contar a verdade e acabar com as esperanças de uma pessoa no leito de morte, ou simular ser o filho desaparecido para que a mulher tenha seus últimos momentos de paz. Ele mente para uma mulher em seu leito de morte, faz algo moralmente errado, para que ela descanse verdadeiramente em paz.

 

Velho Quadrinheiro

Optimus Prime em Transformers – Geração 1, n. 5 (2003), de Chris Sarracini e Pat Lee

Há mensagens poderosas nas histórias mais tolas. Transformers – Geração 1, n.5 (2003), não é diferente. Com roteiro de Chris Sarracini e desenhos de Pat Lee, o número foca em quem é, na essência, Optimus Prime (ou o Líder Optimus, pra quem cresceu nos anos 80).

Fosse um herói de guerra real, um bombeiro, um policial de carne e osso, talvez o impacto fosse menor. A sequência de 4 páginas, que não será mais do que uma nota de rodapé na história dos quadrinhos, podia ser um manual de como caracterizar um personagem.

 

Picareta Psíquico

Homem Aranha #33 (1966)  por  Stan Lee e Steve Ditko

A história intitulada Capítulo Final é a conclusão da narrativa de três edições que começa com a tia May adoecendo por causa de uma transfusão de sangue (ela recebeu o sangue radioativo de Peter), e termina com o herói lutando com o Dr. Octopus para conseguir a droga experimental que pode salvá-la. Na terceira parte, Ditko desenha uma sequência de 5 páginas que mostram o Teioso preso a uma estrutura subaquática gigantesca.

O jogo entre o peso da estrutura e o peso da responsabilidade (que é a característica essencial do personagem) vai se descortinando com as lembranças do tio Ben (morto pelo assaltante que Peter deixou escapar), e da tia May na cama do hospital. A força do personagem (tanto física quanto psicológica) vai crescendo a medida que os painéis das páginas ficam maiores. Por fim a página inteira mostra a superação.

Nas palavras do heróis: “Qualquer um pode vencer uma luta em condições favoráveis. É quando tudo está contra você, que parece não ter chance alguma, é aí que realmente conta!”

TFC

Esse tipo de situação é tão central para o personagem que ela se repete nas melhores histórias como A Última Caçada de Kraven, ou nos filmes (especialmente na cena do Tobey Maguire segurando o trem sozinho e desmaiando no final em Homem Aranha 2 – 2004). É isso que faz do personagem alguém que admiramos!

 

Sobre Picareta Psíquico

Uma ideia na cabeça e uma história em quadrinhos na mão.
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